segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A condição humana e a vida política – De Hannah Arendt à Amanda Gurgel


Hannah Arendt nasceu em 1906, em Hanover, Alemanha. Nascida numa família judia que, com a perseguição nazista, fugiu para França em 1930 e depois para os Estados Unidos, onde morreu em 1975. Escreveu diversos obras, entre elas destacam-se: O sistema totalitário, A condição humana, Entre o passado e o futuro. Para Arendt nosso tempo é marcado por crises de três sustentáculos da civilização ocidental: da religião, da tradição filosófica e da política. Ambas crise dizem respeito a perda da Autoridade. Essa crise de autoridade, da lugar ao Autoritarismo. Segundo, Arendt, o Totalitarismo é uma novidade política do mundo contemporâneo. Ele nos ameaça na vida prática e constitui um desafio ao pensamento desarmado para compreendê-lo; O terror dos regimes totalitários é legitimado ideologicamente pela afirmação da existência de leis da natureza que o justifica (ordem natural). Todavia, Hannah Arendt tinha uma visão otimista em relação a saída do totalitarismo; Acreditava na democracia, na participação direta dos cidadãos e depositava esperanças de mudanças na vida política. Todavia, esse otimismo de Hannah Arendt, carecia de um posicionamento mais convicto no protagonismo da classe dos explorados. As suas lições sobre as crises dos sustentáculos da civilização nos mobiliza para o exercicio da democracia, mas não nos alerta suficientemente para o perigo de uma ideologia demagógica da democracia burguesa. Que supostamente todos teriam voz e vez no exercicio da política. Para nós, o exemplo da professora Amanda Gurgel (eleita Vereadora pelo PSTU em Natal/RN), demonstra que a democracia direta do povo na rua, continua sendo o melhor critério da "verdade". Uma política democrática só será consequente se estiver pautada no exercício pleno da libertação dos explorados. No melhor estilo arendtiano, Amanda Gurgel escolhe fazer o exercicio pleno da liberdade ocupando o espaço público da política. Porém, no melhor estilo revolucionário toma uma posição ao lado daqueles que anseia novos tempos de exercício pleno da democracia libertadora. Professora Amanda Gurgel se emociona durante comemoração de sua eleição em Natal - créditos da foto: http://pstu.org.br/partido_materia.asp?id=14593&ida=0

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Educação e expressividade estética: possibilidades para a emancipação contemporânea

Por que aproximar a questão da expressividade estética com educação? A experiência estética possibilita o entrelaçamento entre a educação e formação cultural para a emancipação? O filósofo Adorno, ao contrário de um resignado pessimismo, não hesita em considerar que enquanto não se modificarem as condições objetivas (em minhas palavras, destruir o capitalismo) haverá sempre uma lacuna entre as pretensões formativas e suas realizações propriamente ditas. Disto resulta que a educação tenha que levar a cabo a proposta desestruturadora da totalidade social capitalista. Isso não significa superestimá-la, mas corresponde à necessidade de compreender seu papel de resistência e crítica. Em primeiro lugar, quero dizer que a experiência e a expressão estética vêm desafiar o sentido da educação para a emancipação. Desse modo, a racionalidade educativa passa a ser compreendida não somente pela razão didático-instrumental, mas, se articula com a noção de uma racionalidade estético-formativa. Assim, ao recuperarmos o sentido da expressividade estética, podemos demonstrar que o influxo da própria educação é constituído por elementos estéticos. Ora, significa indicar que a educação é também de ordem estético expressiva. Adorno, em sua Teoria estética (1992), procurou compreender o movimento de constituição e desdobramento da arte a partir de vínculos contraditórios entre diversos pólos: o indivíduo e a sociedade, a arte e a cultura de massa, forma e conteúdo, o belo artístico e o belo natural, entre outros. O conteúdo da arte mantém uma instância inalcançável para a racionalidade instrumental. Na experiência estética, a mistura de entusiasmo e reflexão, de emoção e análise racional das obras de arte pode tornar o sujeito consciente de sua condição reprimida pela razão dominadora. Pode esclarecer da limitação de sua identidade endurecida, sem ter que se anular ou dissolver-se como sujeito. Pelo contrário, por mais escapatória que seja a experiência estética, nela resplandece a possibilidade de uma expressividade do sujeito que não se apropriaria de modo imperioso do estranho e diferente, mas que encontra nele sua própria substância (ZAMORA, 2008, p. 220). Do mesmo modo como a arte potencializa os esforços para se escapar ao horror da objetificação, também seu elemento expressivo potencializa os aspectos formativos culturais da educação. Isso tem algo a ver com uma inscrição da potencialidade mimética inscrita na expressividade da obra de arte. Ao mesmo tempo se sobressai a dimensão da sensibilidade e expressividade que a razão instrumental reprimiu em si mesma. Ora, um dos principais elementos em que Adorno vislumbrava a possibilidade expressiva da arte é a estreita relação entre esta e a sociedade. Tal compreensão pode servir-nos como fio condutor para penetrar as suas complexas reflexões artístico-filosóficas e tentar solucionar as aparentes dissonâncias entre sensibilidade e conceito. No entanto, essa tarefa para a arte não é muito simples, como também não significa uma pura resignação da própria obra. Mas, demonstra uma elevada intenção de preservar-se, enquanto obra de arte, no seu caráter temporal, histórico. Desse modo, se levamos em conta as produções artísticas, percebemos um movimento de interpretação e de reinvenção da própria vida e das possibilidades de uma educação formativa. Desse modo, o desenrolar de uma educação como experiência formativa requer reconhecer o sentido da expressividade da arte. Trata-se, pois, de ter em vista que esta descrição possui uma perspectiva enriquecedora para a experiência formativa. Poder-se-ia pensar, assim, na forma com que a arte reconstitui o que foi reprimido. De acordo com Adorno: Aqui tem seu lugar a idéia da arte como reconstituição da natureza oprimida e implicada na dinâmica histórica; ela é verdadeiramente na arte um não-ente. Trata-se, para a arte, daquele outro para o qual a razão identificadora, que o reduziu a matéria, possui a palavra natureza. Este outro não é unidade e conceito, mas pluralidade [...]. Menos do que imitar a natureza, as obras de arte traduzem a sua transposição. Em última análise, deveria derrubar-se a doutrina da imitação; num sentido sublimado, a realidade deve imitar as obras de arte (ADORNO, 1992, p. 152s.). O estético converge com o formativo, no sentido de que ambos implicam uma dinâmica não-restritiva do impulso mimético. Nos termos do pensamento adorniano, da experiência autorreflexiva, no reconhecimento do impulso mimético, imanente à vida do sujeito. Essa experiência estética se registra na dificuldade de expressão do fenômeno, que advém do processo histórico da razão instrumental. Se a experiência estética é de um “estremecimento” do eu diante da natureza que clama pelo não-idêntico, a experiência formativa será, analogamente, a de uma destituição da segurança do eu, da razão dominadora. Isso equivale a introduzir na formação cultural contemporânea a perspectiva de um estremecimento constitutivo do sujeito no processo educacional, um fundamento mimético tanto da experiência estética, como da experiência formativa.
Recorte do texto apresentado no IV SENAFE-UFSM/2012

terça-feira, 6 de setembro de 2011

“ASSIM FALAVA TROTSKY"


"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!"

No dia 21 de agosto completam-se 71 anos do assassinato de Leon Trotsky. Seu nome de nascimento era Liev Davidovich Bronstein, nasceu no dia 26 de outubro de 1879, no vilarejo ucraniano de Yanovka. Foi um intelectual marxista e revolucionário bolchevique, fundador do Exército Vermelho e apos morte de Lênin foi rival de Stalin, travando uma batalha política contra a burocratização do Estado Soviético e a degeneração do Partido Bolchevique. Em sua matéria publicada no Jornal Opinião Socialista, Henrique Canary, faz alusão ao importante comprometimento desse militante revolucionário. Trotsky era um homem de ação pratica e teórica. Aos 26 anos, formulou a “Teoria da Revolução Permanente”, baseado em sua experiência da revolução de 1905. Mas seu trabalho intelectual mais importante foi “A Revolução traída”, de 1936. Neste livro, analisa o processo de burocratização da URSS e do próprio partido Bolchevique e sentencia: ou a classe operaria soviética, sob a direção de um partido revolucionário, fará uma revolução política, que limpe dos sovietes e do Estado Operário a burocracia stalinista, ou o capitalismo será restaurado na Rússia. Cinqüenta anos depois se confirmou de modo dramático a previsão de Trotsky, isto é, o capitalismo é restaurado em todos os países de economia planificada. Em 1938, fundou a Quarta Internacional. Foi assassinado, em seu exílio no Mexico, por um agente da polícia secreta soviética.

“LIÇÕES DE OUTUBRO”

A Revolução Russa (1905 –1917) foi um acontecimento histórico importante do século XX, pois se tratou do primeiro movimento proletário em nível mundial. Uma revolução não-burguesa que levava em seu bojo todas as premissas teóricas do marxismo. Propunha-se através a abolição do sistema capitalista e a instauração do regime socialista. Contudo, uma tarefa de tamanha grandeza necessitava de grandes líderes revolucionários e de teorias propulsoras ao seu movimento. O nome de Trotsky, juntamente, com outros nomes importantes com de Lenin, Rosa Luxemburgo e outros, toma pra si tal tarefa. E o principal legado de Leon Trotsky foi a batalha política de continuidade da tradição marxista, defendendo a democracia operaria, a independência de classe e a construção de um partido de combate.

“SER TROTSKISTA HOJE”

Em 1985 Nahuel Moreno, ativista político argentino, escreve um breve texto, apontando a necessidade entender o que significa ser marxista. Para ele, isso implica em compreender que não adianta estar somente de acordo com as idéias de Marx e Engels, e fazer um culto cego a eles, significa,sim, saber criticá-los e ou até superá-los. E completava: “No aspecto positivo, ser trotskista é responder a três análises e posições programáticas claras. A primeira, que enquanto existir o capitalismo no mundo ou em um país, não há solução de fundo para absolutamente nenhum problema: começando pela educação, a arte, e chegando aos problemas mais gerais da fome, da miséria crescente, etc..” Nos parece que conhecer os feitos de Trotsky, não significa estar de acordo com ele. Mas não dá para não reconhecer sua importância na historia da humanidade. A luta pela emancipação humana implica numa tomada de posição consciente e conseqüente, sendo ou não sendo trotskista. E isso está em nossas mãos.

Fonte:
Opinião Socialista, nº430, p.12-13.
MORENO, Nahuel. Ser trotskista hoje. In: The Marxists Internet Archive. Trad. Carlos Herinque. http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ma000078.pdf . acesso em 06 de setembro de 2011.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Educação como mercadoria

O tema do fetichismo da mercadoria, oriunda do processo valorativo da produção capitalista analisado por Karl Marx. Assim, a análise marxiana do fetichismo e o modelo derivado de sua teoria da produção, são muito profícuos à crítica a educação como mercadoria. E nos deparando com os problemas relacionados à educação pública (precarização das escolas, desvalorização dos profissionais, etc), podemos compreender que eles não estão desarticulados com as problemáticas nada circunstanciais do capitalismo avançado.

A função social da educação (de modo particular, a escola), só se explicita na medida em que se desenvolve a perspectiva de sua apreensão em seu duplo caráter material. Nesse sentido, o que se observa, de um lado, atualmente no Brasil é a progressiva redução do entendimento dos impasses das políticas educacionais. Por outro lado, as pseudo-soluções, aparentemente desconexas, que estão organicamente articuladas como peças de uma engrenagem social contaminada pelas relações de mercados capitalistas.

O que se quer realçar é que a luta pela defesa da educação (cito a greve dos professores em alguns estados pela implantação do Piso Salarial do Magistério), contra seu caráter mercadológico, é uma necessidade efetiva para uma nova estratégia social. Esta perspectiva sinaliza os dilemas e conflitos face ao substancial da educação da classe trabalhadora.

A via de acesso a tal substancial é o reconhecimento do processo de reprodução das relações materiais vigentes e de resistência a ele. Isso significa reorientar as políticas da educação contemporânea. Nesse particular, a luta dos profissionais seria impotente e enganosa se ignorasse sua dimensão de resistencia ao conformismo. Contudo, torna-se necessário compreender a educação também no caminho da resistência ao fetichismo da própria educação como mercadoria.

* Versão parcial do texto publicado na revista Ação e Reflexão da UNISC. texto completo ver:Link: http://online.unisc.br/seer/index.php/reflex

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por que defender cotas para negros?


Por que defender cotas para negros é necessário?

Cinco razões:

1º Por conta do Racismo estrutural da sociedade brasileira - mesmo que muitos admitam não haver racismo no Brasil, ele existe.Existe sim, um racismo estrutural que se caracteriza pela manutenção de processos nefastos de exclusão que legaram aos negros e negras do nosso país uma trajetória de libertação inconclusa.

2º Pelas distancias nos indicadores sociais entre os negros/negras e a população branca - o último censo de IBGE re-confirma o abismo social entre negros e brancos. a população negra continua significativamente presente nos piores indicadores sociais, e o principio exemplo é o acesso a educação.Atualmente, a média de estudos dos brasileiros brancos é de 7,7 anos e a dos negros é de 5,8 anos. Está em 16% a estimativa de negros, maiores de 15 anos, analfabetos. Esse valor é de 7% para os brancos.

3º Ausência dos negros e negras no ensino superior - a população negra em sua maioria não está na universidade. Por que isso acontece? Não são capazes? Não querem? Existe algum motivo que vai muito além do que uma questão meritocrática. É necessario ainda se perguntar, onde estão os negros e negras? Por que não estão frequentando um curso superior?

4º Pelo mapa das políticas de ação afirmativa na educação superior - Há alguns anos algumas universidades públicas começaram, ou tiveram que começar, a adotar políticas de democratização do acesso às suas vagas. Ambas demonstram níveis desiguais de acesso e permanencia na universidade.Mas a grande maioria concordo que o desempenho dos cotitas em nada prejudicou o nível de qualidade dessas universidades e muito menos que estes tenham limitado seu proprio desempenho.Porém, algumas instituições para não enfrentar a questão de frente, preferem adotar outras politicas de acesso a universidade, considerando apenas o nível social. É necessário enfrentar a problemática racial de forma profunda, sem subterfúgios.

5º Pela necessidade e urgência de promover políticas de combate ao racismo - Observamos que o desenvolvimento da instituição de políticas afirmativas no ensino superior remete para a necessidade de promover uma ampla reflexão sobre as relações raciais e as práticas institucionais associadas à implementação dessas políticas de inclusão. Devemos ampliar o debate sobre a diversidade de modelos e das estratégias da academia para a implementação de ações afirmativas e, com isso, permitir uma abordagem crítica sobre as dificuldades e entraves (jurídicos, políticos e institucionais), bem como as conquistas, derivadas da implementação dessas políticas.


Uma última observação

O racismo hoje serve como ferramenta para dividir a classe trabalhadora, que deixa de enxergar o verdadeiro inimigo: a exploração capitalista, que reforça o preconceito como forma de aumentar os lucros dos patrões. Se faz importante numa luta contra o racismo que seja independente política e financeiramente dos governos e que seja protagonizada pelos movimentos sociais e populares, pelas entidades sindicais e estudantis, de modo que possamos enfrentar radicalmente o racismo e participar da construção de uma sociedade de fato sem racismo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Retorno ao Blog


Estamos na ativa...Depois de um tempo parado, voltamos. O tempo nos consome, mas nunca desistiremos da luta. Grande inspiração são as mobilizações no mundo árabe, na Europa e também no Brasil, e, particularmente, Santa Catarina com os professores em Greve.Há um sentimento de indignação no "ar". O mundo, as pessoas, nós estamos esgotado com esse sistema que insiste em permanecer dominante. Esses movimentos são provas que possível resistir, mostra que o capitalismo não será triufante e muito menos que chegamos ao "fim da história".

De qualquer forma, esse é o nosso tempo. Tempo de mudanças, transformações profundas e profundamente necessárias.Como dizia o cantor Cazuza, "o tempo não pára", e nos convoca a ter o dominio sobre ele, ou pelo menos dos momentos que somos convocados a viver, portanto, a todos os momentos.Não há sofrimento, nem dor, sem razão. Muitos caminhos se abrirão, mas nenhum deles poderemos seguir sozinhos. Essa é nossa jornada...

Textos, imagens, coragens, paixões e utopias consistirão essa continuidade!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CONSIDERAÇÕES SOBRE INVESTIGAÇÃO E FORMAÇÃO DOCENTE*

Ao se considerar as intencionalidades de toda ação educativa, exercida por professores em situações planejadas de ensino e aprendizagens, uma questão se faz importante: o que fundamenta nossa prática docente? A definição de uma metodologia de ensino é dirigida por sua compreensão e interpretação, muitas vezes de si mesmo e da sua reflexão sobre a realidade concretizada através de práticas específicas, orientadas para construção de saberes e práticas docentes. A concepção disso orienta a ação pedagógica no que se refere à inter-relação da cultura e da sua própria identidade e das relações que disso resulta.

Entendo que há várias formas de concebermos a cultura e o fenômeno educativo. A educação não uma realidade acabada que se dá a conhecer de forma única e precisa em seus múltiplos aspectos. É um processo humano, histórico e multidimensional de interações contextualizadas. De acordo com a concepção teórica em que nos situamos, privilegiamos um ou outro aspecto. Todavia, na aprendizagem contemporânea, os novos paradigmas, ou paradigma emergente, contemplam novos modos de ensinar e de aprender.
Diante de diversas concepções sobre a Educação de professores, destaco algumas considerações, resultantes das relações de aprendizagens:

Penso que o ensino hoje, em todos os níveis, precisa unir a lógica do processo de investigação com os produtos da investigação. Trata-se de nem só aprender a lógica do processo nem só os conteúdos. Mas exercitá-los. O detalhe mais importante, e também o mais difícil de fazer, é que o acesso aos conteúdos e a aquisição de conceitos científicos, precisam percorrer o processo de investigação, os modos de pensar e investigar a ciência ensinada.

A questão, portanto, é como o/a professor/a e, por conseqüência, seus alunos, internalizam o procedimento investigativo do conteúdo que está ensinando? Isto envolve formas de pensamento, habilidades de pensamento, que propiciem uma reflexão sobre a metodologia investigativa do conteúdo que se está aprendendo. A aprendizagem escolar é estruturada conforme o método de exposição do conhecimento científico, mas o pensamento que um aluno desenvolve na atividade de aprendizagem tem algo em comum com o pensamento de cientistas que expõem o resultado de suas pesquisas, quando se utilizam abstrações, generalizações e conceitos teóricos.

É impossível numa mesa redonda oferecer um conjunto completo dos modos de fazer essa junção entre o conteúdo e o desenvolvimento das capacidades de pensar. Em todo caso, a idéia-chave é simples: ensinar é colocar o aluno numa atividade de aprendizagem. A atividade de aprendizagem é a própria aprendizagem, ou seja, aprender habilidades, desenvolver capacidades e competências para que os alunos aprendam por si mesmos.

Identificação das mediações e interações da docência que permeiam o trabalho pedagógico dos professores. Os dilemas sobre a interferência das novas tecnologias da comunicação e informação têm facilitado o trabalho docente, no entanto, é preciso estar atento na definição a função social de tais instrumentais. Sobretudo, das novas culturas gestadas nos processos de Globalização, Mundialização e Internacionalização.

Ensino com e como Pesquisa; é um processo hermenêutico intercambiável com aprendizagem. Aprendizagem significativa que não é exclusiva dos alunos, mas uma postura também docente.

Em suma, um dos principais objetivos da educação está voltado para o desenvolvimento integral das pessoas, dos conceitos de sociedade, de trabalho e cultura. Dessa forma, o professor, as professoras que buscam considerar a constituição de sujeitos emancipados, podem quebrar os esquemas autoritários e centralizadores da educação, de ensino e da formação, sob forma de repasse das “verdades imutáveis”, para abrir espaços dinâmicos, constitutivos da reflexão crítica e novas identidades.

*Comentário parcial sobre a disciplina "Educação de professores,identidade,cultura e investigação", oferecido pela professora Dra.Maria Emília Engers, no segundo semestre de 2007.